segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Estado de Sítio

Uma das características dos filmes políticos da década de 70 é a repressão dos fortes contra os mais fracos. Não que a luta de classes seja tratado diferente nos dia de hoje, o que mais vemos é abuso de poder dos mais desenvolvidos e uma grande miséria dos mais fracos, mas há 25 anos a democracia e liberdade de expressão eram palavras que não poderiam ser ditas. O poder de persuasão dos EUA estava afiado e oferecer ajuda política e econômica aos países emergentes foi um dos métodos que o governo americano encontrou para mostrar-se soberano diante do mundo. Nada mais do que Efeitos da Guerra Fria. Em meio a corrida travada pelos EUA e URSS de ver quem chegava primeiro no topo do mundo do poder, os guerrilheiros da América Latina lutavam contra o poder e a opressão interna. Seqüestros, assaltos, lutas armadas tudo era feito para puxar sardinha para o lado social com uma ideologia de liberdade e fraternidade.

O diretor franco-grego Constantin Costa Gravas trouxe em seu filme, Estado de Sítio, esta luta interna dos países da América Latina. O longa conta a história do grupo de guerrilheiros Tupamaros que seqüestraram um cônsul brasileiro e um cidadão americano que trabalhava na AID (Agency for International Development) em troca de presos ativistas. Gravas leu no jornal francês Lê Monde que um americano havia sido seqüestrado por guerrilheiros e como as informações da mídia perante este fato estavam fragmentadas, ele resolveu apurar por conta própria os verdadeiros acontecimentos. O filme Estado de Sítio foi o resultado de sua apuração. Gravas usa uma narrativa não linear e seu filme tem um tom jornalístico da denuncia de um fato que foi ocultado pela mídia. Este tipo de abordagem é típico do cinema político: mostrar ao público fatos ocultados, alguns destorcem a realidade, mas a grande maioria consegue passar a história real do nosso mundo.


Viver a realidade do século XXI com as conseqüências do século passado nos dá medo e angustia. Os paises poderosos com sua soberania e poder passam por cima dos princípios básicos de sobrevivência do ser humano. E quem sofre mais são sempre os mais fracos. Vemos a África com todos os seus problemas econômicos e sociais, um continente devastado pelo genocídio e pela colonização, isso sem contar os problemas da América Latina que até hoje sofre as conseqüências da ditadura. Nos perguntamos até onde o ser humano vai parar? Até quando ele vai correr atrás do lucro e do poder passando por cima de tudo que ele encontra pela frente? A humanidade está se auto-destruindo e nossos filhos viverão as piores conseqüências de atos desumanos.

Na época da ditadura os EUA implementou um sistema de aliança do progresso na América Latina para se infiltrar e “ajudar” os países a resolver seus problemas públicos. A AID treinava o policiamento desses países para que fossem usadas várias técnicas de repressão social, métodos de tortura, por exemplo. Gravas mostrou em seu filme uma guerrilha uruguaia audaciosa na qual a policia em troca dos dois seqüestrados tinham que soltar os presos no México, Peru e Argélia. Este foi o segundo comunicado dos Tupamaros mostrado no filme, que levou o governo do Uruguai a acreditar que os guerrilheiros queriam aplicar um golpe sobre a ordem estabelecida impedindo o poder Judiciário de aplicar a lei sobre os presos e condenados por crimes políticos. Está aí o porquê do nome do filme. Será decretado o “Estado de Sítio” quando um país se vê ameaçado por alguma força interna ou externa e quando esta força o impede de aplicar algum preceito constitucional. Filosoficamente, Gravas faz o espectador entrar em Estado de Sítio. Estamos vivendo com medo sempre tem alguém que quer nos impedir de fazer algo, de lutar pelos nossos direitos, de buscar uma vida melhor. No nosso interior declaramos secretamente um Estado de Sítio, o mundo nos impede de aplicarmos nossos princípios morais e somos obrigados a vivenciar guerras e dominação. Se queremos mesmo mudar esta realidade teremos que partir para o papel principal e deixarmos de ser apenas um coadjuvante.


Em 1970 foi a época em que a ditadura estava mais forte, mais poderosa. E a população tinha que viver naquele clima tenso de repressão. Hoje muitos filmes tratam deste tema que tanto assustou a população levando as pessoas a viver um momento de tensão e terror. O filme brasileiro “O Ano em que Meus Pais saíram de Férias”, do diretor Cao Hamburger, diferente de Estado de Sitio, retrata a ditadura de uma maneira mais doce utilizando algumas metáforas para tratar o assunto. O filme fala da maior paixão brasileira que é o futebol. A narrativa está em torno na Copa do Mundo de 1970, mas também aborda a comunidade judaica do centro de São Paulo. O menino Mauro, personagem do ator Michel Joelsas nem imaginava que seus pais estavam fugindo da repressão do governo militar, em contraponto ele convivia com adultos de diferentes culturas e crianças com aquela inocência que é muito diferente das crianças de hoje. A maneira como é contada a historia no longa de Hamburger faz com que os espectadores sempre sejam lembrados que o filme também fala sobre a ditadura, diferente de Estado de Sitio em que ficamos completamente presos e envolvidos na trama principal. Gravas prende a atenção do espectador pela forte tensão dos interrogatórios dos seqüestrados e da reação das autoridades perante a situação de risco que em que se encontravam os seqüestrados e o risco do Estado perder a rédeas do controle político. A guerrilha urbana teve sempre um grande peso nas decisões políticas e vivenciar esta luta de poderes nos trás uma boa bagagem histórica.

Para as pessoas mais velhas que viveram na época da ditadura hoje sobra uma sombra de esperança, uma maneira de olhar para frente e enxergar uma luz no fim do túnel, e para os que não viveram naquela época e tem o regime militar apenas como uma historia pode fazer a sua parte e buscar um futuro melhor. Não sendo apenas um espectador, mas sim uma pessoa de atitudes sérias para juntos construirmos um mundo melhor. Permitiremos que caiam as mascaras.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Senhor dos Anéis

Essa é uma das trilogias que mais amo!

Todos os filmes foram feitos com muita qualidade, ótima direção e atuação.

Um pouco de fantasia não faz mal né.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

2009 ou 2012?

Hoje foi um dia muito complicado na vida do paulistano. Muita chuva, muito trânsito, pontos alagados, ruas intransitáveis enfim, um caos!

Para ilustrar esse dia somente o trailer do 2012 mesmo!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Em Paris


O filme Em Paris, dirigido pelo francês Christophe Honoré, aborda uma trama sensível de amor, encontros e desencontros, família e farra. Para colocar alguns adjetivos: é sim lindo, fofo, com um roteiro interessante e traz no elenco Louis Garrel (um ótimo e lindo ator). Honoré sendo um seguidor da Nouvelle Vague, fez jus ao movimento e trouxe um entretenimento de qualidade para o público.

A história fala sobre dois irmãos, um que está deprimido porque terminou um relacionamento e o outro que tenta levantar o astral do irmão, mas na verdade sai e fica com várias mulheres, um típico Dom Juan. No meio dos dois tem o pai que faz de tudo para os filhos, e que ainda ama a ex-mulher.

A trama se passa na maravilhosa Paris e emociona com humor e delicadeza.

Pronto. Já falei basicamente do filme. O que quero mesmo é puxar um pouco a atenção do pai dos bonitos protagonizados por Louis Garrel e Romain Duris. Seu personagem é tão simples que chega a encantar. A dedicação de um pai para o filho que está com depressão, que leva comida na cama, que abraça e tenta confortar a dor do filho, mesmo não tendo intimidade para isso. Um pai paciente com o filho mulherengo quando “abriga” antigas namoradas, e atura a falta de interesse nos estudos. Um pai de família que foi abandonado pela mulher e que sente falta da vida de casado.

Me chamou muito a atenção deste pai. Um simples personagem que não tem muita atenção no filme. Não sei se é porque falta esta presença paterna em minha vida, mas sinceramente, um personagem escrito com tanta sutileza não pode passar despercebido. Sua posição é muito bem feita e a trama nao seria a mesma sem a preseça que ele impõe.

Neste belo e poético filme, ficamos certos de que não estamos diante de um filme comum, e sim de uma obra madura e cativante.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Vermelho como o céu


Vermelho como o Céu, dirigido por Cristiano Bortone, é um filme belo e encantador. Com ótimas interpretações, o filme fala de relações humanas e destaca a superação e amizade.

O filme conta a história de Mirco que como qualquer outro garoto gosta de brincar com os amiguinhos. Até que um trágico acidente o fez perder a visão e é transferido para um colégio especialista em educação de meninos deficientes visuais. Lá Mirco se depara com seu problema e a maneira que encontra para superar a perda da visão é fazer radionovelas. Ele começa a captar todos os sons em um pequeno gravador e o resultado é uma narrativa surpreendente.

A historia é surpreendentemente forte. È impressionante como a capacidade humana pode superar as expectativas. A imaginação fica mais sensível e as limitações podem ser superadas.

Baseado na história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som da indústria cinematográfica italiana, Bortone dirige o drama com muita sensibilidade. Nada de melodrama, clichês e marasmos. Emociona por ser verdadeiro e simples.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Contos Proibidos do Marquês de Sade


Para inaugurar este blog em grande estilo vamos falar do Marquês de Sade, que "escandalizou" a sociedade no século XVIII com seus contos e publicações. Muitas de suas obras foram escritas enquanto estava na prisão. Seus textos eram considerados escandalosos e proibidos, pois falava de sexo era considerado impróprio para a sociedade.

Diante dessa história o diretor Philip Kaufman construiu um filme encantador retratando os últimos anos do Marquês de Sade. O filme Contos Proibidos do Marques de Sade faz com que o telespectador mergulhe na história e na vida do protagonista. Tentar entender os pensamentos do Marquês não é muito fácil mas podemos entender o desejo que ele sente em relação ao sexo. Uns dizem que ele era gay, outros que dizem que não. Gay ou não, ele era livre e não tinha vergonha de seus desejos.

Geoffey Rush está ótimo interpretando o Marquês de Sade. O filme conta também com a participação de Kate Winslet como a lavadeira Madeleine, confidente do Marquês e encarregada de levar seus textos para serem publicados, e do ator Joaquin Phoenix que interpreta o diretor do asilo, Abbe Coulmier.

Mas não é só de filmes que o Marquês vive em nossas vidas. Hoje podemos encontrar algumas obras do autor em livrarias e sebos. Vale a pena conferir filmes que falam sobre sua vida e as teorias de suas obras.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Marqu%C3%AAs_de_Sade

http://www.pensador.info/autor/Marques_de_Sade/