O gênero da não ficção está atraindo, timidamente, os brasileiros a conhecerem sua própria historia. Com uma linguagem pedagógica os documentaristas narram historias verídicas que chocam muita gente que não faz parte daquela realidade.
O filme Tropa de Elite gerou muita repercussão e chocou a sociedade com aquela realidade que muita gente não tem noção que pode acontecer. E para as comunidades carentes o filme contou a historia de suas vidas, da dificuldade de morar em um fogo cruzado entre polícia e bandido.
O filme Ultima Parada 174, de Bruno Barreto, foi baseado no documentário Ônibus 174, de José Padilha e conta a historia da mulher que adotou o protagonista como filho. O diretor se baseou em uma historia trágica para contar uma historia de amor entre uma mãe e um filho. Ambos narram historia da realidade do Brasil: a violência e o amor.
O cinema brasileiro está utilizando muitas ferramentas do documentário como a câmera na mão, atores não profissionais que vivem a realidade da narrativa filmada, a veracidade dos fatos, a luz natural que aqui entre nós, é fantástica com tons fortes e expressivos. É o jeitinho brasileiro de entrar em uma discussão sobre os problemas sociais utilizando os recursos naturais.
O cinema pega a realidade do documentário coloca fantasia na narrativa por isso q fica tão próximo de nós. Muitos saem da sua realidade social e vai filmar o outro. Do outro lado da ponte, do outro lado do morro, do outro lado da vida. São historias que acontecem todos os dias.
Antes de o cinema ter todo esse sucesso, quem discutia os problemas sociais do país era a literatura. Hoje o cinema toma esse papel para si e é com ele que os brasileiros encontram uma maneira eficaz de discutir seus problemas.
Com essa proximidade da realidade a ficção se inspira no documentário para contar histórias de amor e guerra. A ferramenta utilizada por ambos é a imprevisibilidade. Os cineastas saem de casa sabendo o que eles querem e com uma idéia pronta na cabeça, mas não sabem o que vai aparecer para que suas lentes possam captar o outro. A narrativa se desenvolve a partir do olhar sensível do diretor e contar historias se transforma em algo mágico e quem ganha é sempre o espectador que no final vê uma narrativa próxima da nossa realidade. Uma espécie de é tudo verdade, para chacoalhar a sociedade e tentar abrir os olhos dos que insistem em fechar.
Vamos ver como será esse cenário nos próximos dez anos. Como diz João Moreira Salles: “agora eu quero ver um índio fazendo um filme sobre um cineasta.”